“ Foi há muitos e muitos anos já,
Num reino de ao pé do mar.
Como sabeis todos, vivia lá
Aquela que eu soube amar;
E vivia sem outro pensamento
Que amar-me e eu a adorar.
Eu era criança e ela era criança,
Neste reino ao pé do mar;
Mas o nosso amor era mais que amor —
O meu e o dela a amar;
Um amor que os anjos do céu vieram
a ambos nós invejar.
E foi esta a razão por que, há muitos anos,
Neste reino ao pé do mar,
Um vento saiu duma nuvem, gelando
A linda que eu soube amar;
E o seu parente fidalgo veio
De longe a me a tirar,
Para a fechar num sepulcro
Neste reino ao pé do mar.
E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar…
Sim, foi essa a razão (como sabem todos,
Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite
Gelando e matando a que eu soube amar.
Mas o nosso amor era mais que o amor
De muitos mais velhos a amar,
De muitos de mais meditar,
E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem demônios debaixo do mar
Poderão separar a minha alma da alma
Da linda que eu soube amar.
Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos
Da linda que eu soube amar;
E as estrelas nos ares só me lembram olhares
Da linda que eu soube amar;
E assim ‘stou deitado toda a noite ao lado
Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado,
No sepulcro ao pé do mar,
Ao pé do murmúrio do mar. “
Edgar Allan Por, tradução por Fernando Pessoa
Hoje o dia tinha tudo para dar errado, as últimas semanas não foram uma das melhores, talvez não pelos acontecimentos, mas eu mesma me colocando para baixo e me sentindo ” injustiçada ” por bobeiras. Mas a mudança de estação, muda o temperamento, os acontecimentos, muda tudo. Aquela explosão, aquele calor imenso é acalmado. E sou consolada por essa cor que já conheço, que conversa comigo, me conta o que se passa no mundo fora da minha ” maluquez ” a terra. Ele me abraça, ouve novos baianos, me convence que eu mesma devo me comprar flores, entra na minha lucidez, discutindo sobre as cores. Acho que vou derreter, de frio, de paixão, de tudo um pouco. “Fique sabendo que a distância e o tempo vestem a terra “. Então vamos pedir um carona até a estrela mais próxima, lá a distância e o tempo não estão no guarda-roupas.
Eu estou precisando urgentemente pular o muro.Sabe aquelas aventuras ? Que fazem você pensar que a realidade é mais foda que a ficção, pois é. Está me esperando do outro lado do muro, eu to em cima, nem crente… quer dizer quente e nem fria. Estou morna, meio lúcida meio louca. A metade é falta de coragem ou dúvida ? Ta errado ta tudo errado, não se pode ser meio gordo, não se pode ser meio esperto, não se pode ser meio feio, claro mudar de ideia faz parte, mas viadagem não. Ou é ou não é. Eu pulo ?
Eu ainda vou pegar minhas coisas e fugir para Bahia, mas não posso fugir, excesso de orgulho ou falta de coragem ? Eu sei que posso me virar, meu coração diz num futuro próximo, as merdas da vida dizem agora, minha cabeça diz nunca. Maldito coração, sempre sabe o que faz, me diga quantas vezes você não o seguiu ? Temos nosso próprio anjo da guarda, em algum lugar que bombeia o sangue, ou nem esse maldito sabe o que faz. Mas eu sei que tudo vai parar na Bahia, disso eu sei. Me vejo no farol da barra perguntando pro rádio o que fazer. Moraes Moreira pelo menos você tem que saber de alguma coisa, no seu passado, presente ou futuro.
Mas pensando bem, não é o mundo e muito menos os outros que nos salvam, e sim nós que devemos salvar o mundo.
Eu sou uma metamorfose ambulante, você falou comigo raul ou apenas chegamos na mesma conclusão depois da mesma brisa ? Você sabia das coisas, entra nos meus dilemas e no de muitos todos os dias. Psiquiatra é o caralho, terapia é raul seixas.Queria minha vitrola, meus discos, meu psiquiatra, minha casa e a minha bagunça. MINHA bagunça apenas minha, não sou rebelde, não sou má, não sou inconsequente. Não tente compreender o que se passa com os outros, só se seu nome for Raul e sobrenome Seixas. Você não vai entender, vai causar uma explosão, e quem é que vai salvar o mundo ? o Raul ? Mas ele tem um numero limitado de álbuns e eu não tenho uma vitrola, apenas discos. Vou gira-los nos dedos ? Da forma que as coisas andam, não recuso uma briga, mesmo se eu souber que no fim vou estar sem a vitrola, ao menos eu não sou tiete.
Às vezes no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado
Juntando o antes, o agora e o depois
Por que você me deixa tão solto?
Por que você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinho
Não sou nem quero ser o seu dono
É que um carinho às vezes cai bem
Eu tenho meus desejos e planos secretos
Só abro pra você mais ninguém
Por que você me esquece e some?
E se eu me interessar por alguém?
E se ele, de repente, me ganha?
Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora…
Estudar para conseguir entender uma piada ?
Porque tentar entender o sentido de uma metáfora ?
Passar anos e anos, enfiada nos livros daquela tal de língua portuguesa, fritando seus neurônios, para entender uma piada ? Aliás uma piada, que as pessoas desprovidas de coragem utilizam, para jogar algumas verdades na sua cara.
Além de irônica é covarde ? Algo mais metáfora ?
E tudo para … ?
Apaixonar-se por essa réplica da vida, vista e escrita de diferentes formas, com mil e um gêneros, que faz com que você se acaba escrevendo malditas metáforas. E se formando como uma hipócrita ambulante. Isso é viver.
Metáfora é hipocrisia
Vida é metáfora
Viva a hipocrisia.